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Mandioca: a raiz da alimentação brasileira

Mandioca: a raiz da alimentação brasileira

 

 

Olá, aluno-ouvinte!

Eu sou Ricardo Filgueira. Professor de português e apresentador do podcast Brasil Com Ricardo.

O melhor podcast para quem quer aprender português e conhecer mais sobre a cultura brasileira.

No episódio de hoje, eu vou falar sobre um alimento que faz parte do meu dia a dia, na verdade, do dia a dia de qualquer brasileiro.

É a mandioca: a raiz da alimentação brasileira.

Quando os primeiros portugueses desembarcaram em 1500, na Terra de Vera Cruz, atual Brasil, encontraram os povos indígenas que se alimentavam de caça, peixes, frutas silvestres e principalmente das raízes de uma planta nativa: a mandioca.

 

planta mandioca

Mandioca

 

Quinhentos anos já se passaram e esse alimento continua presente na alimentação diária do brasileiro. Um dos motivos para isso é que suas raízes se adaptam bem às diversas condições naturais do Brasil, o que contribui bastante para que a mandioca seja matéria-prima de muitos alimentos consumidos pelos brasileiros como, por exemplo: o beiju, o pão de queijo, biscoitos, bolos e farinhas, sendo esse último de consumo mais generalizado, principalmente entre os nordestinos.

O paladar do brasileiro conhece diversas texturas e sabores de farinhas de mandioca, devido às muitas formas e regiões onde são produzidas. A farinha de mandioca pode ser consumida pura ou acompanhada com frutas, carnes etc. Eu, como um bom maranhense, adoro comer farinha com camarão seco. Ah, e claro, ela também vai muito bem com o popular arroz com feijão.

 

farinha_de_mandioca

Farinha de mandioca

 

Origem e cultivo

A mandioca é originária da América do Sul, e foi disseminada em outros continentes por portugueses e espanhóis no Período Colonial. Existem mais de 300 variedades de mandioca no continente americano, entre elas, a mandioca-brava que contém ácido cianídrico, que é venenoso se não for destruído pelo calor do cozimento.

Desde 2000 houve um aumento de 60% na produção mundial da mandioca e seu consumo tende a continuar se for seguido um modelo ecológico de cultivo “Produzir mais com menos”, segundo a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura.

A mandioca é tolerante à seca e se adapta a diferentes condições de clima e solo. No entanto, ela não se desenvolve bem em climas frios; temperaturas inferiores a 15ºC prejudicam seu desenvolvimento.

No cenário mundial, o Brasil é atualmente o segundo maior produtor da raiz, com produção em torno de 25 milhões de toneladas por ano. O Brasil liderou a produção da raiz até 1991, quando foi ultrapassado pela Nigéria.

A Região Norte lidera a produção de mandioca com 36,1% da safra nacional, seguida pela Região Nordeste com 25,1% e pela Região Sul com 22,1%. O Pará é o estado com a maior produção de raiz de mandioca, com safra superior a 4 milhões de toneladas em 2017.

 

 

Em termos regionais, o Nordeste se destaca como a principal região consumidora de mandioca e derivados, respondendo por 47% do total consumido no Brasil.

Os nomes da mandioca

O nome científico da mandioca é Manihot esculenta Crantz, e dependendo da região do Brasil, pode ser conhecida também como macaxeira e aipim. Eu sou nordestino e lá no meu estado, no Maranhão, nós a chamamos de macaxeira. Aqui, em São Paulo, ela é chamada de mandioca.

 

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E de onde vem o nome “mandioca”. Agora vem a parte interessante… A palavra mandioca é originária de uma lenda dos tupinambás, um povo indígena brasileiro. Segundo essa lenda, uma criança indígena chamada Maní havia morrido com apenas dois anos de idade. Com medo de ser um castigo ou maldição dos espíritos da floresta, Maní foi sepultada em sua própria oca, oca significa cabana ou casa em Tupi-Guarani.

 

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Após sua morte, brotou uma planta sobre a sepultura da criança e tempos depois, o pajé da tribo recebeu uma mensagem em sonho explicando o que fazer com a planta e como consumir suas raízes. E assim, nasce o nome manioca, “casa de Maní”, que depois virou mandioca.

Composição e valor energético

A mandioca possui alto valor energético, com teor elevado de amido, fibras e alguns minerais como potássio, cálcio, fósforo, sódio e ferro. Sua composição química, em média, é composta de 65% de água, 25% de amido, 3% de proteína, 2% de celulose e 5% de outros elementos.

A mandioca é rica em carboidrato, não contém glúten e ainda pode ajudar a aumentar os níveis de serotonina, neurotransmissor relacionado com a sensação de bem-estar.

Ela também é rica em vitamina A e em polifenóis, principalmente o resveratrol, que combate os radicais livres que causam danos celulares e aceleram o envelhecimento. Além disso, o resveratrol retarda os efeitos da radiação ultravioleta na pele.

Como você percebeu, a mandioca é completa. Não é a toa que ela foi eleita pela Organização das Nações Unidas (ONU) como o alimento mais importante do século XXI.

Uma curiosidade: você sabia que a mandioca faz parte da dieta do homem mais rápido do mundo? Isso mesmo, eu estou falando do jamaicano Usain Bolt. A raiz é a principal fonte de energia do ex-atleta, segundo revelou seu pai durante as Olimpíadas de Pequim em 2008. E faz sentido: essa raiz tem dois tipos de carboidrato, a amilopectina e a amilose, que, juntos, liberam a glicose mais lentamente para o corpo. Isso facilita a digestão, evita altos níveis de açúcar no sangue e dá energia de sobra para o dia.

É um alimento perfeito: fácil de cultivar, resistente, barato e cheio de benefícios para nossa saúde. Maravilha

Então, é isso aluno-ouvinte. Chegamos ao final de mais um episódio do Brasil Com Ricardo. Obrigado pela companhia e até o próximo sábado. Até mais! Tchau!

 
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Vocabulário

Matéria-prima: raw material

Paladar: um dos cinco sentidos (o paladar, a visão, o olfato, a audição, o tato). É a capacidade de reconhecer os gostos de substâncias colocadas sobre a língua

Silvestre: wild

Mandioca: cassava

É originária do: is originally from

Disseminar: to disseminate; to sow

Período Colonial: período entre a chegada dos primeiros portugueses ao Brasil e a Independência (de 1500 até 1822).

Tolerante à seca: drought tolerant

Prejudicar: to impair; to harm; to damage

No cenário mundial: on the world scene

Em torno de: around

Ultrapassar: to overtake; to exceed

Safra: harvest

Brotar: to sprout

Teor: content (teor alcoólico: alcohol content)

Bem-estar: wellbeing

Retardar: to retard, to slow up

Não é à toa: not for nothing

Liberar: to release; to free

De sobra: more than enough (já temos problemas de sobra)

 

Fontes:

https://mgtnutri.com.br/alimentos-derivados-da-mandioca-e-sua-importancia/

Lody, Raul. Farinha de Mandioca: O sabor brasileiro e as receitas da Bahia. São Paulo: Editora Senac São Paulo, 2013

https://www.embrapa.br/mandioca-e-fruticultura/cultivos/mandioca

https://www.natue.com.br/natuelife/mandioca-engorda.html

https://www.cepea.esalq.usp.br/br/opiniao-cepea/producao-e-consumo-de-fecula-de-mandioca-no-brasil.aspx

https://boaforma.abril.com.br/dieta/mandioca-superpoderosa-ela-ajuda-na-dieta/

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